domingo, 24 de fevereiro de 2013

Crítica: Bilhete





por Andressa Andrade

            “Onde você estava quando suas crianças choraram na noite passada?” Essa pergunta faz parte da letra de uma das minhas músicas preferidas, e se aplica perfeitamente, também, ao curta-metragem Bilhete, a cuja pré-estreia eu tive a felicidade de assistir neste final de semana.
            O segundo curta da produtora de cinema alternativo Catavento Produções, lançado oficialmente nesta sexta-feira, 22, aborda o tema de maneira inovadora, prometendo trazer ao público uma nova visão a respeito de um dos temas mais discutidos da atualidade. Com uma visão de mundo diferenciada e que muito sensibiliza, o roteirista Daniel Duarte propõe ao expectador que abandone seus preconceitos e encare de outra forma a situação da mãe e do pai solteiro, que muitas vezes são malvistos pela sociedade. Na trama, esse clichê é quebrado e o “outro lado da moeda” é mostrado, provando que não se pode julgar nem condenar ninguém baseando-se apenas em estereótipos sociais e que a realidade muitas vezes não é como o discurso da maioria prega. Dessa forma, Bilhete ilustra bem a proposta da Catavento de ser diferente não apenas na escolha da temática, indo de encontro à ideia de que as obras do gênero devem tratar apenas de temas sociopolíticos e distantes da realidade da maioria, mas também na maneira como os temas são abordados, saindo do conforto do senso-comum e mostrando-nos uma outra faceta da realidade que nos cerca. Realidade esta que está tão próxima de nós, a nosso alcance, e que apesar disso, muitas vezes nós ignoramos, por distração ou mesmo por escolha, por preferirmos simplesmente não notar.
            Superando em diversos aspectos Kite, o curta de estreia da produtora lançado no final do ano passado, essa nova produção dirigida por Matheus Leandro mostra a evolução técnica e o resultado do trabalho árduo da equipe na tentativa de, mesmo com poucos recursos, trazer ao público um material de qualidade e que possa rivalizar com aquele apresentado pelas empresas de maior porte que atuam no ramo há mais tempo. Embora, é claro, ainda haja muito a ser feito e diversas pontas a serem lapidadas, eu aposto muito no sucesso da produtora, que já provou que tem muito potencial e muita vontade de crescer. Desde que a brisa seja favorável, eu acredito que os jovens talentos da Catavento ainda irão nos surpreender muito e que o melhor ainda está por vir...
            Eu não poderia, ainda, encerrar este breve comentário sem mencionar a incrível habilidade dos atores do curta, sobretudo do protagonista, interpretado pelo ator mirim Raphael Vinícius, que promete emocionar o público com o grande carisma com que preenche seu personagem. A atriz Marília Crisóstomo, estreante na área, também surpreende com a habilidade digna de aplausos, saindo-se muito bem em um papel que exige muita expressividade e domínio da atuação. E torna-se quase desnecessário mencionar a destreza do jovem Rainan Pires, cujo papel vem para “quebrar o gelo” no filme, tornando-o mais leve e logo cativando o expectador. Em suma, o elenco como um todo merece ser parabenizado; eu espero sinceramente poder vê-los novamente na tela grande, quem sabe trazendo um brilho ainda maior à próxima produção da Catavento.
            Bem, então o recado está dado: se tiver a chance, não deixe de assistir ao Bilhete, o segundo curta, esperamos, de uma lista de muitos títulos dessa produtora que ainda engatinha no caminho para tornar-se uma grande empresa, mas que cresce cheia de promessas e de sonhos...


 --> Confira abaixo o trailer do curta-metragem:

 (c) Catavento Produções

Um comentário:

  1. Poxa... Parabéns para Catavento mais uma vez, e parabéns também pro Raphael Rodrigues pela trilha sonora. Parabéns também pelos comentários sobre "O Bilhete" você escreve muito bem!

    ResponderExcluir

Olá! Gostou deste meu mundo mágico? Sim? Então, por favor, comente! Você deixaria muito feliz! Obrigada pela visita, de todo modo. ^^