por
Andressa Andrade
“Onde
você estava quando suas crianças choraram na noite passada?” Essa pergunta faz
parte da letra de uma das minhas músicas preferidas, e se aplica perfeitamente,
também, ao curta-metragem Bilhete, a
cuja pré-estreia eu tive a felicidade de assistir neste final de semana.
O segundo curta da produtora de
cinema alternativo Catavento Produções, lançado oficialmente nesta sexta-feira,
22, aborda o tema de maneira inovadora, prometendo trazer ao público uma nova
visão a respeito de um dos temas mais discutidos da atualidade. Com uma visão
de mundo diferenciada e que muito sensibiliza, o roteirista Daniel Duarte
propõe ao expectador que abandone seus preconceitos e encare de outra forma a
situação da mãe e do pai solteiro, que muitas vezes são malvistos pela
sociedade. Na trama, esse clichê é quebrado e o “outro lado da moeda” é
mostrado, provando que não se pode julgar nem condenar ninguém baseando-se
apenas em estereótipos sociais e que a realidade muitas vezes não é como o
discurso da maioria prega. Dessa forma, Bilhete
ilustra bem a proposta da Catavento de ser diferente não apenas na escolha da
temática, indo de encontro à ideia de que as obras do gênero devem tratar
apenas de temas sociopolíticos e distantes da realidade da maioria, mas também
na maneira como os temas são abordados, saindo do conforto do senso-comum e
mostrando-nos uma outra faceta da realidade que nos cerca. Realidade esta que
está tão próxima de nós, a nosso alcance, e que apesar disso, muitas vezes nós
ignoramos, por distração ou mesmo por escolha, por preferirmos simplesmente não
notar.
Superando em diversos aspectos Kite, o curta de estreia da produtora
lançado no final do ano passado, essa nova produção dirigida por Matheus
Leandro mostra a evolução técnica e o resultado do trabalho árduo da equipe na
tentativa de, mesmo com poucos recursos, trazer ao público um material de
qualidade e que possa rivalizar com aquele apresentado pelas empresas de maior
porte que atuam no ramo há mais tempo. Embora, é claro, ainda haja muito a ser
feito e diversas pontas a serem lapidadas, eu aposto muito no sucesso da
produtora, que já provou que tem muito potencial e muita vontade de crescer. Desde
que a brisa seja favorável, eu acredito que os jovens talentos da Catavento
ainda irão nos surpreender muito e que o melhor ainda está por vir...
Eu não poderia, ainda, encerrar este
breve comentário sem mencionar a incrível habilidade dos atores do curta,
sobretudo do protagonista, interpretado pelo ator mirim Raphael Vinícius, que
promete emocionar o público com o grande carisma com que preenche seu
personagem. A atriz Marília Crisóstomo, estreante na área, também surpreende
com a habilidade digna de aplausos, saindo-se muito bem em um papel que exige
muita expressividade e domínio da atuação. E torna-se quase desnecessário
mencionar a destreza do jovem Rainan Pires, cujo papel vem para “quebrar o
gelo” no filme, tornando-o mais leve e logo cativando o expectador. Em suma, o
elenco como um todo merece ser parabenizado; eu espero sinceramente poder
vê-los novamente na tela grande, quem sabe trazendo um brilho ainda maior à
próxima produção da Catavento.
Bem, então o recado está dado: se
tiver a chance, não deixe de assistir ao Bilhete,
o segundo curta, esperamos, de uma lista de muitos títulos dessa produtora que
ainda engatinha no caminho para tornar-se uma grande empresa, mas que cresce
cheia de promessas e de sonhos...
--> Confira abaixo o trailer do curta-metragem:
--> Confira abaixo o trailer do curta-metragem:
(c) Catavento Produções

Poxa... Parabéns para Catavento mais uma vez, e parabéns também pro Raphael Rodrigues pela trilha sonora. Parabéns também pelos comentários sobre "O Bilhete" você escreve muito bem!
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